Como manter a competitividade no setor de alimentos e bebidas por meio da inovação, digitalização e colaboração

Fórum Econômico Internacional das Américas – Montreal – 11 de junho de 2019

Vanessa Grondin, nossa vice-presidente e diretora de estratégia global para o setor de alimentos e bebidas, teve a oportunidade de participar de um painel de debate intitulado Semer les graines de la réussite (Como plantar as sementes do sucesso) durante o Fórum Econômico Internacional das Américas, realizado em Montreal no dia 11 de junho de 2019. Os outros participantes do painel também eram importantes agentes do setor: Sébastien Léveillé, CEO da Sollio Agriculture; Lise Gagnon, vice-presidente de marketing, pesquisa e desenvolvimento da Olymel; e Robert Coallier, CEO da Agropur.

Eles falaram sobre a evolução desse mercado altamente competitivo, no qual a colaboração agora é necessária para criar novas oportunidades. A importância da pesquisa e inovação também foi discutida, assim como as vantagens de uma maior transparência e da digitalização. Apresentamos aqui um resumo do painel de debate, que foi realizado na forma de uma sessão de perguntas e respostas.

Como as empresas deste setor pode colaborar entre si para compartilhar expertise e conhecimentos, de modo a poder criar novas oportunidades para agricultores, processadores de alimentos e consumidores?

Esta pergunta é muito interessante do ponto de vista da tecnologia. Começarei fazendo outra pergunta. Em sua opinião, o que, em geral, é desestruturado e gerenciado de acordo com padrões variáveis entre as empresas e tem o potencial de aumentar a eficiência de sua organização em 20%? A resposta é os dados digitais em sua cadeia de suprimentos.

Atualmente, há duas fortes tendências em dados que têm o potencial de gerar muitas oportunidades em curto e médio prazo.

1 – A digitalização de cadeias de suprimentos

2 – A crescente necessidade de transparência das diferentes partes interessadas

Nos últimos dois anos, ouvimos falar muito sobre a rastreabilidade digital de ponta a ponta no setor de alimentos e bebidas. A ideia por trás da rastreabilidade digital de ponta a ponta é conectar todos os elos da cadeia, do campo até o consumidor final. Ao fazer isso, digitalizamos os elos da cadeia que antes talvez não estivessem conectados e, assim, obtemos um grande volume de dados que podem ser aproveitados para resolver vários problemas de negócios. Uma área na qual o setor poderia colaborar mais é na adoção de padrões de dados, assim como na disposição para compartilhar dados digitais de maneira confidencial e protegida. As ferramentas tecnológicas permitem uma maior transparência e é isso o que os consumidores e marcas estão pedindo e começando a exigir.

Qual o papel da tecnologia na inovação de processos e produtos?

Enfocarei na inovação de produtos e, mais especificamente, na digitalização de produtos como um vetor para o relacionamento com o cliente. Atualmente, para produtos de consumo, as marcas querem aproveitar a digitalização de produtos para obter uma ideia melhor sobre o perfil de seus clientes, para saber onde o produto foi consumido, para evitar fraude e desvios, e para automatizar o atendimento ao cliente por meio de chatbots. Por sua vez, os consumidores querem compreender melhor a origem real de determinados ingredientes, interagir com agricultores, fazer parte da comunidade, etc. Esta é a visão atual.

Todos sabemos que há uma pressão considerável no setor de alimentos e bebidas para reduzir as embalagens de plástico descartáveis.

Ontem, o governo de Trudeau anunciou que está trabalhando em um projeto de lei para banir as embalagens de plástico descartáveis em 2021. Na semana passada, Loblaws anunciou um projeto piloto com TerraCycle para colocar produtos da President’s Choice em embalagens retornáveis. Esse modelo de negócios baseia-se no valor dos dados gerados para fins de marketing para marcas e varejistas. Em um contexto no qual as embalagens reutilizáveis se tornarão cada vez mais comuns, a rastreabilidade digital passa a ser essencial. Como a embalagem será alterada com maior frequência, a rastreabilidade digital tornará mais dinâmicos a embalagem e o conteúdo comunicados pela marca ao consumidor.

Em sua opinião, em que as empresas de alimentos e bebidas devem enfocar seus investimentos de pesquisa e desenvolvimento para promover a inovação?

Os investimentos devem ser feitos na digitalização da cadeia de suprimentos para promover a segurança dos alimentos e para otimizar a eficiência operacional e o relacionamento digital com o cliente. Eu poderia falar um pouco sobre o SCALE AI, que é um superaglomerado nacional de 500 milhões de dólares que financia projetos de uso da inteligência artificial para aprimorar a cadeia de suprimentos. A inteligência artificial fornece dados digitais, padronizados e estruturados, e o aglomerado reembolsa 40% de determinadas despesas às partes interessadas.

 

Como os gostos do consumidor podem influenciar o funcionamento do setor de alimentos e bebidas? Como o setor pode adaptar-se às possíveis tendências?

Definitivamente, para continuar no tema das embalagens, os consumidores, e mais especificamente os da geração do milênio, são muito sensíveis a esses problemas e têm muita influência sobre o setor de alimentos e bebidas. Vou dar um exemplo concreto do tipo de projetos que são muito populares nas Américas Central e do Sul. Os produtores de bebidas e engarrafadores têm dois tipos de estoques de garrafas: as descartáveis e as retornáveis. As empresas querem rastrear seu estoque em uso de garrafas retornáveis por vários motivos. Primeiro, elas querem caracterizar a qualidade e a quantidade das garrafas que passam por seus canais. Segundo, elas querem caracterizar as tendências do consumidor em um determinado território e, em última análise, melhorar o estoque de garrafas retornáveis para beneficiar as garrafas descartáveis. O motivo: a reutilização de garrafas gera uma economia operacional. Finalmente, certas marcas usam a rastreabilidade digital como ferramenta de marketing junto a seus clientes.

 

TECNOLOGIAS DE RASTREABILIDADE DA OPTEL PARA O SETOR DE ALIMENTOS E BEBIDAS 

Food and Beverage recycling